Educação financeira e alcoolismo: reconfiguração de narrativas de mulheres em recuperação
DOI:
https://doi.org/10.22398/2525-2828.113193-108Palavras-chave:
Educação financeira, Alcoolismo, Mulheres, Dinheiro, Vulnerabilidade, Economia criativaResumo
Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa qualitativa focada em mulheres alcoolistas em recuperação que participaram de um curso de educação financeira. Em um momento de vulnerabilidade, marcado pela dependência química e desorganização econômica, o objetivo da pesquisa foi compreender como essa intervenção educativa foi percebida por esse público e como possibilitou a reorganização de suas vidas financeiras. A metodologia incluiu entrevistas em profundidade com 13 participantes e com a criadora do curso, complementadas pela análise de materiais pedagógicos e de divulgação, tanto do curso em questão quanto de outros concorrentes. Os achados revelaram que o curso, ao adotar uma abordagem experiencial e relacional — distanciando-se do modelo utilitário e reinserindo o dinheiro no tecido das relações sociais e afetivas — criou um ambiente de aprendizagem transformador. Para essas mulheres, frequentemente excluídas do saber financeiro formal, a aquisição de habilidades de gestão tornou-se um recurso de empoderamento, autonomia e liberdade de escolha. Nesse contexto, a educação financeira, para além da técnica, mostra-se como uma ferramenta para a reconfiguração de narrativas pessoais, possibilitando a subversão de “crenças limitantes” arraigadas e estimula a capacidade criativa de imaginar e construir um futuro distinto do presente de vulnerabilidade, demonstrando o papel da aprendizagem na promoção da agência e na reinvenção da subjetividade. Dessa forma, pretende-se oferecer uma contribuição estratégica para a vertente social da economia criativa brasileira.
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